domingo, 28 de agosto de 2011

A EDUCAÇÃO PRECISA DE 10% DO PIB

SENADORA MARINOR BRITO DEFENDE 10% DO PIB PARA EDUCAÇÃO

A SRª MARINOR BRITO (PSOL - PA. Pela Liderança. Sem revisão da oradora.) – Senador Paim, Srs. Senadores, ouvintes da TV Senado, da Rádio Senado, na semana passada a Campanha Nacional pelo Direito à Educação, que é uma rede composta por mais de duzentas entidades da sociedade civil, lançou um documento intitulado “Por que 7% do PIB para a educação é pouco?” Esse documento critica as justificativas apresentadas pelo Governo Federal de que nos próximos dez anos o Brasil precisa elevar seus gastos com educação em apenas 2% do PIB. Mas a sua principal riqueza é que pela primeira vez a sociedade civil conseguiu provar por “A” + “B” que o Brasil só terá Senador Paim, uma educação de qualidade se aplicar pelo menos 10% do PIB em educação.
Cinco dias depois do anúncio deste documento, a Folha de S. Paulo publicou um editorial intitulado “Programa Recomendado”, no qual, a serviço e a pedido do governo, ataca a proposta de elevação dos gastos educacionais. O editorial utiliza os seguintes argumentos: Afirma que a quantidade de emendas apresentadas aos projetos do PNE, se deve ao fato de Parlamentares pretenderem deixar suas marcas ou a tentativa de conciliar a defesa de uma miríade de interesses particulares.
O PSOL não veio para cá e não está na Câmara Federal para atender interesses particulares. Nós temos compromisso histórico com a educação pública de qualidade. Não é a toa que uma boa parte dos parlamentares que nós temos no Brasil, infelizmente ainda não são muitos, são vinculados à luta pela educação pública de qualidade.
Afirma que não se pode permitir que uma enxurrada de emendas torne o Plano Nacional de Educação menos exeqüível. Ora, o governo não assumiu no texto do Plano Nacional de Educação as propostas exaustivamente debatidas na Conferência Nacional de Educação, que foi fruto de um debate nacional de todos os trabalhadores da educação desse país e das diversas esferas. E acha que nós temos que vir para cá dizer “sim senhor” ao texto escolhido pelo Governo Federal. Senador Paim, eu não vim para cá para isso também.
Acusa a emenda que estabelece um gasto de 10% do PIB com educação até 2020, de ser “não só fantasiosa como deletéria”. Isso “porque diante do pífio investimento histórico e o ambiente de restrição orçamentária, a meta parece inatingível. Considera o objetivo de 7%” - já é ousado o bastante – “e que a elevação proposta pela sociedade civil é o caminho mais curto para tornar o Plano Nacional um rol de metas inatingíveis, e daí, irrelevantes.”
Ora, um Governo que não teve o respeito, a decência, a honestidade intelectual, de fazer um balanço do Plano Nacional, que vai ser substituído, que apresentou ao Congresso Nacional um novo Projeto, sem apresentar à sociedade esse balanço, mesmo até hoje, com todas as cobranças da Comissão de Educação, seja na Câmara Federal, feita pelo Ivan Valente, seja aqui, feita por toda a Comissão, não só por mim, tem a cara de pau – desculpe-me a expressão pesada -, meio feia, meio sei lá o quê, de dizer que os 7% são mais do que suficientes, não podendo ser questionados.
Após esses arrazoados, aconselhou o Congresso Nacional a restringir ao máximo as alterações do Plano Nacional de Educação, encaminhado originalmente pelo Governo, e votá-lo o mais rápido possível. Nós também queremos votar. Nós também achamos que existe uma necessidade estratégica para a vida do povo brasileiro de que a educação pública seja regida por um plano nacional que responda aos interesses da maioria do povo brasileiro, dos filhos da classe trabalhadora, que esse plano e essas metas estejam em consonância com as necessidades reais para enfrentar os baixos índices educacionais existentes no País, para enfrentar a dificuldade dos pobres se deslocarem para uma escola, para enfrentar a infraestrutura de uma escola, a capacitação continuada dos profissionais da educação, para enfrentar a defasagem salarial e as péssimas condições de trabalho dos educadores do nosso País.
Parece que esse plano, esta pressa, com essas metas que foram estabelecidas precisam correr muito rápido, como tem corrido muito rápido aqui as medidas provisórias que nem sempre são relevantes, nem sempre são de interesse imediato do povo brasileiro.
Queria perguntar primeiro em nome de quem o Governo brasileiro encomendou essa matéria e resolveu aconselhar os Senadores e Deputados a não aumentarem os investimentos em educação. Em nome de quem Senador Paulo Paim? Que seguimentos sociais possuem interesse que o Congresso trilhe esse caminho? Essas duas são as principais questões a serem respondidas, porque esse conselho não serve para responder a necessidade de um plano que verdadeiramente pense a educação numa perspectiva integradora, numa perspectiva onde a educação possa ser instrumento de ascensão social, de melhoria da qualidade vida do povo.
O Brasil gasta pouco com educação. Em 2009, o gasto público direto com educação foi de apenas 4,95% do PIB, menos de 5%. De cada R$5,00 apenas R$0,83 foram desembolsados pela União, Senador Paim, ou seja, quem carrega a educação brasileira nas costas são os Estados e os Municípios e quem concentra o maior bolo na arrecadação tributária deste País senão a União? Em 2001, a sociedade propôs 10% e o Congresso aprovou 7% e o Ex-Presidente Fernando Henrique vetou o dispositivo e vi a bancada do PT aqui e na Câmara desesperada defendendo 10%. Esse veto até hoje, passou o Governo Lula, estamos no Governo Dilma e ele não foi derrubado e o Plano Nacional vem com o percentual exatamente igual.
Em 2011, a sociedade propôs 10%. Essa proposta não surgiu à toa, mas de estudos, de debates, de reuniões, inúmeras, que aconteceram nas universidades brasileiras, nas escolas públicas brasileiras, por pessoas que pesquisam a educação, o financiamento público da educação.
Em dez anos, passamos de 3,95 para 5%. Quase nada, Senador Paim! Quase nada! Os dados da campanha mostram que precisamos gastar a mais na próxima década algo em torno de 169 bilhões. Parece muito, mas, se compararmos com o volume de recursos que são desviados dos bolsos dos brasileiros para satisfazer a sanha do lucro dos nossos credores da dívida pública, este valor é muito tímido.
Ainda agora, o Senador Álvaro e vários senadores que fizeram aparte falavam desse processo de corrupção no País, falavam dos bilhões de dólares que se espalham pelos bolsos das empreiteiras, dos empreendedores, dos grandes empreendedores desse País, nas relações promíscuas existentes entre eles e alguns partidos e alguns senadores e alguns deputados espalhados pelo Brasil, e na relação direta, com apoiamento de campanha historicamente aos presidentes da República.
Dou aos senadores um pequeno e contundente exemplo: para viabilizar um plano nacional que inclua 5 milhões de crianças na educação básica, alfabetize 14 milhões de adultos, inclua 3 milhões de jovens em universidades públicas, melhore a escola do Norte e Nordeste e torne os salários dos professores menos vergonhosos o Brasil precisará gastar 16,9 bilhões ao ano. Só agora, pouco tempo atrás, foi aprovado para a construção do trem-bala algo em torno de 50 bilhões. E R$16,9 bilhões não podem ser utilizados para enfrentar essa situação no País.
Pois bem, somente de dividendos recebidos de nossas estatais, que esboçam grandes lucros todos os anos, o Governo Federal recebeu R$32 bilhões. E o que o Governo fez com esse dinheiro? Investiu em infraestrutura? Saúde, talvez?
No Pará, anteontem, mais uma vez, por omissão de socorro, por superlotação dos hospitais públicos, por falta de estrutura para os profissionais de saúde trabalharem, com seus baixos salários, mais duas crianças morreram na frente da maternidade! A mãe teve que parir dentro de uma ambulância – e não foi de uma ambulância da urgência e emergência do serviço de Belém, foi de uma ambulância dos bombeiros, que se solidarizaram com a senhora.
Então, pelo contrário, aplicou todo o dinheiro no pagamento dos juros e na amortização da dívida pública, cumprindo dispositivo de lei aprovado pelo governo tucano à época, e seguido religiosamente pelo Governo do PT.
Em 2010, quase 50% do Orçamento brasileiro foi para o pagamento da dívida pública, quase 50%. E não podemos dispor de R$16,9 bilhões no ano para resolver o problema de cinco milhões de crianças para a educação básica; de 14 milhões de adultos para serem alfabetizados; de três milhões de jovens em universidades públicas. Não podemos dispor desse recurso.
O recado que vem das ruas deste país é: o povo brasileiro não aceita mais pagar as contas da crise e ficar apenas com as migalhas do progresso do país.
Eu queria dizer ao Governo brasileiro, que encomendou a matéria, que eu, o PSOL, aqui no Congresso Nacional, dispensamos o conselho dos credores e da área econômica do Governo; nós preferimos ficar ao lado do povo brasileiro. Nós preferimos ficar ao lado dos que lutam pela educação pública de qualidade para todos e em todos os níveis; nós queremos uma escola pública verdadeiramente capaz de integrar, de recolher das ruas as crianças que só têm hoje, como alternativa, a prostituição infanto-juvenil, ou o caminho das drogas, ou são presas fáceis, vulneráveis ao tráfico de seres humanos.
Ainda há pouco, o Senador Cristovam Buarque tratava da questão das taxas referentes a outros países. Bem, na França, o Governo resolveu taxar mais a renda dos ricos, Senador Paim; nos Estados Unidos, até os ricos estão reclamando de não pagar mais impostos. E aqui no Brasil? Continuamos ajudando os ricos e penalizando os mais pobres! Tem aqui, no Congresso Nacional, Senador Paim, além do projeto de V. Exª, o projeto da Bancada do PSOL, do Deputado Ivan Valente, para tentar regulamentar o imposto sobre as grandes fortunas. E esse projeto, nós não fomos aconselhados a fazer andar no Congresso Nacional. Nenhum editorial, de jornal algum, vinculado aos interesses econômicos do País, mandou algum recado a Senadores e Deputados de que estes projetos: do Senador Paim, da Bancada do PSOL, do Deputado Ivan Valente, do Deputado Chico Alencar precisavam tramitar, precisavam ter celeridade. Por isso, eu digo que esse recado tem lado... E não é o nosso lado, Senador Paim – não é o nosso lado.
A educação precisa ser realmente prioridade neste País.
Eu queria aproveitar o meu pronunciamento para pedir, para inserir dois documentos nos Anais desta Casa. Um deles é o editorial que aconselha Deputados e Senadores, da Folha de S.Paulo, do dia 22 de agosto. E o outro é o documento lançado pela Campanha Nacional pelo Direito à Educação.
Esses trabalhadores da educação, esses pesquisadores, esses profissionais que têm dedicado a vida a encontrar caminhos, saídas, para enfrentar essa crise que nunca acaba e que ninguém se preocupa; esses profissionais que trabalham com salários humilhantes, em condições indignas, que são os que ainda conseguem com muito esforço garantir o mínimo de qualidade na educação pública brasileira.
Eu queria dizer, Senador Paim, para concluir o meu tempo, que estou muito feliz, porque começa a tomar corpo no Brasil uma mobilização nacional pelos 10% do PIB para a educação. Assim como foi lançado o observatório da corrupção e contra a impunidade, que começam a pipocar os atos, reunindo a sociedade civil em vários lugares – e agora mesmo, no dia 20, terá um anunciado para o Rio de Janeiro – e coloco o meu mandato à inteira disposição do povo brasileiro, da minha categoria, da qual tenho muito orgulho, quando me perguntam: a senhora é Senadora? Não, estou Senadora. Eu tenho orgulho, sou professora, sou uma educadora, sou alguém que não abre mão no seu processo de convivência com as pessoas de trocar, de aprender e de ensinar. Agora, essa troca é pela busca da cidadania, é pela busca da justiça, da ética; é pela busca da felicidade humana. E nós não podemos pensar em felicidade humana sem considerar esta dimensão importante da vida do povo brasileiro, que é a educação.
Então, colocamo-nos à disposição da mobilização nacional, da campanha nacional e, em breve, Senador Paim, na Comissão de Educação, onde conseguimos antecipar o debate sobre o Plano Nacional, para que o Senado Federal não seja pego desprevenidamente para votarmos de afogadilho, como tem acontecido com as medidas provisórias.
Então, para o Plano Nacional de Educação nós vamos apresentar os novos estudos, as fontes de financiamento que estão indicadas, que estão sendo analisadas como o melhor caminho para responder à necessidade de aplicação de 10% dos recursos do PIB na educação.
Boa-noite a todos.






FÓRUM DE EDUCAÇÃO INFANTIL DAS MISSÕES


As discussões foram muito boas, com intensa participação da plenária para a construção da Carta de Princípios do novo Fórum e da Carta de Santo Ângelo. Contamos com a presença da profª. Rita Coelho, com apresentação esclarecedora sobre as atuais políticas do MEC para a área. Houve relatos e troca de experiências entre municípios presentes. Conselho Tutelar, Promotoria Pública, Câmara de Vereadores, UNDIME/RS, URI, foram algumas das entidades presentes. O trabalho em rede foi um grande destaque nas apresentações, tendo em vista sua importância para a oferta de EI.
A organização do Evento, a cargo da SMED de Santo Ângelo, foi impecável e a acolhida muito afetuosa. Vida longa ao Fórum de Educação Infantil da Região das Missões.


segunda-feira, 1 de agosto de 2011

CICLO DE ESTUDOS 2011

Temática: “Diversidade de experiências curriculares na perspectiva das Diretrizes Curriculares para a Educação Infantil”
Local: Sala 101 da FACED/UFRGS (atente para dias em outros espaços!!!)
Horário: 8h30 -12h 30 min (atente para dias com outros horários!!!)

O Fórum Gaúcho de Educação Infantil – FGEI, além de suas ações específicas de incidência política, há vários anos realiza encontros mensais sistemáticos com o objetivo de debater temas acerca das políticas e práticas da educação de crianças de 0 até 6 anos. Neste ano de 2011, o FGEI propõe um Ciclo de Estudos, intitulado, “Diversidade de experiências curriculares na perspectiva das Diretrizes Curriculares para a Educação Infantil”, que irá enfocar o currículo em ação na EI com base no ordenamento legal vigente, especificamente a Res. 05/2009 e o Parecer 20/2009 do CNE.
Buscando ampliar as oportunidades de participação e debate, o FGEI organizou um Ciclo de Estudos, para o qual, ao invés de convidar palestrantes, contará com profissionais da área como dinamizadores do debate, que apresentarão algumas questões/problematizações a partir de leituras, pesquisas e experiências. Além disso, serão convidados também municípios e escolas para realizarem relatos dentro dos temas a serem aprofundados em cada encontro. A experiência será propulsora da discussão e após os relatos, será aberto o debate com base na realidade prática vivida na Escola de EI.
Os temas indicados na Programação serão discutidos tendo como base inicial o material disponibilizado pelo MEC a partir do Programa “Currículo em Movimento”, constituído de textos escritos por especialistas da área e que são fruto de um amplo processo de mobilização nacional em torno do tema “Currículo na EI” ao longo dos últimos anos, tendo o MIEIB como um dos interlocutores do MEC neste processo. No blog do Fórum Gaúcho de Educaçao Infantil estarão disponibilizados os textos para estudos que irão subsidiar a discussao de cada tema.
Desta forma, entendemos contribuir para um compromisso coletivo de estudo, escuta e investigação, que terá como resultado o crescimento de todos/as os envolvidos e a qualificação da EI em nosso Estado.
PROGRAMAÇÃO CICLO DE ESTUDOS 2011

DATAS
TEMAS
DEBATEDOR/A
RELATO

14 de março
Proposição do Ciclo 2011: temas, dinâmica: discussão, relatos, textos para estudo (MEC)
Coordenação colegiada do FGEI
Levantamento de sugestões de municípios/escolas para relato de acordo com as temáticas
18 de abril
O Currículo na Educação Infantil: história, especificidades e desafios
Simone Albuquerque e Maria Luiza Flores
Discussão a partir do documento das DCNEI Res. 05/2009 e do Parecer 20/2009 do CNE
16 de maio
As Linguagens como eixo articulador do Currículo na Educação infantil
Maria Carmen Barbosa (UFRGS) e Sandra Richter (UNISC)

20 de junho
Os bebês no currículo: ações cotidianas
Raquel Freitas, Carolina Gobatto e Paulo Fochi.
(PPGEDU/UFRGS)
Relato de pesquisas com bebês 
(PPGEDU/UFRGS)
18 de julho
LOCAL:
Faculdade de Direito da  UFRGS
Rua João Pessoa, nº 80.
Centro/POA


MANHÃ: Debate e relato: Saúde e Bem-estar na EI
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TARDE: Debate sobre a implementação do PROINFÂNCIA no RS
Dr. Rosane Rohden
Prefeitura Municipal de São Leopoldo


Coordenação: FGEI
Representações do MEC/FNDE e COEDI; entidades: UNDIME; UNCME; SEDUC; CEED; TCE/RS; MPE/RS

Relato de Experiência de uma Escola Infantil do município de São Leopoldo - EMEI ACÁCIA MIMOSA (Prof.Cristiane Mainardi)
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15 de agosto
LOCAL UNISINOS
9h:
Sala 1 A - Centro de Ciências Humanas
(Antigo Centro 1) 11h: Visita à BRINQUEDOTECA
A brincadeira e as práticas cotidianas na Educação infantil

Marita Redin- UNISINOS

Experiências e Projetos da Brinquedoteca da UNISINOS
05 de setembro
A criança, a Natureza e suas interações no Currículo da EI
Ana do Carmo Gonçalves e Eliane Meirelles Leite (FURG- PPGEA)

Relato de Experiência
Escola Amigos do Verde (POA/RS)
17 de outubro

Conhecimentos, linguagens e articulações entre a EI e o Ensino Fundamental
Professora Débora Leão (UFSM)

Relato: SMED/POA
21 de novembro
A Cultura Visual na construção das Infâncias
Roseane Coelho (UFSM)
Relato de pesquisa:
Profas. Ms. Luciane Abreu e Ticiane Horn
(PPGEDU-UFRGS)


quarta-feira, 27 de julho de 2011

NA PRESSA E NA PRESSÃO

ROSELY SAYÃO
Por que tanto desespero? Saber ler, escrever e contar antes dos seis ou sete anos não quer dizer nada.
RECEBO MUITAS, muitas perguntas e dúvidas de pais que têm filhos com seis anos, mais ou menos. Várias mensagens chegam em tom quase desesperado. O motivo? O processo de alfabetização dos filhos.
Vamos tentar acalmar esses pais com alguns esclarecimentos importantes para que, um pouco mais tranquilos, eles não pressionem tanto seus filhos.
De partida, é bom avisar: a criança tem tempo de sobra para se desenvolver nesse processo. Qual o prazo? No ensino fundamental, com duração de nove anos, esperamos que a maioria dos alunos esteja alfabetizada ao final do segundo ano.
Por isso, caro leitor, caso o seu filho esteja no primeiro ano, pode relaxar. Ele ainda tem pelo menos um ano e meio para se aprimorar no processo da leitura, primeiramente, e escrita.
Acontece que muitos pais foram convencidos pela sociedade de que é melhor a criança aprender o mais cedo possível a ler, escrever e trabalhar com números. Não é.
Já temos inúmeros estudos e pesquisas apontando que crianças precocemente introduzidas no ensino formal não se mostram, no futuro, mais avançadas nos estudos. Além disso, até demonstram menor curiosidade pelos estudos e menos criatividade nos trabalhos escolares do que suas colegas que se dedicaram a brincar nos anos da primeira infância.
Tem mais: as crianças massacradas por escolas e famílias para a vida escolar no estilo acadêmico antes dos sete anos desenvolvem mais doenças resultantes da ansiedade e da pressão, tais como estresse, desatenção, distúrbios alimentares e do sono, entre outras.
Veja, caro leitor, o resultado dessa ideia que a sociedade desenvolveu nos pais. Uma leitora, que coloco no grupo dos pais desesperados, conta que mudou de cidade e sua filha, matriculada no primeiro ano, já sabia ler e escrever muitas coisas. Mas agora, na transferência de escola, parece que regrediu e se esqueceu de muita coisa que havia aprendido.
O que nossa leitora não percebe é que, se a garotinha esqueceu, é porque não havia aprendido. Talvez tivesse sido treinada, condicionada ou coisa que o valha a escrever e ler algumas palavras. Quem se alfabetiza com sentido, ou seja, quem entende primeiramente a função social da leitura e da escrita, não se esquece com essa facilidade.
Outra mãe que tem a filha também no primeiro ano me escreveu reclamando da escola, por ter enviado muitas lições para serem feitas nas férias. Mas, de quebra, contou que a filha leva duas horas diariamente fazendo lições de casa e, três vezes por semana, ainda faz acompanhamento psicopedagógico por indicação da escola, por apresentar "dificuldades na alfabetização".
Fico penalizada com a vida que essa menina (como muitas outras) está levando. Quando será que ela brinca? Brincar é uma coisa que, até os seis anos, a criança deveria fazer o tempo todo.
O ensino formal de leitura e escrita e o trabalho com números podem ser iniciados aos sete anos sem prejuízo algum para a vida escolar futura dessas crianças. Por que tanta pressa? Saber ler, escrever e contar antes dos seis, sete anos não significa absolutamente nada.
O que significa muito no futuro desenvolvimento do chamado processo de letramento é a criança aprender, desde bebê, o prazer da leitura. Contar histórias para ela, dar livros bonitos para ela brincar e "ler", conversar bastante com ela para que amplie seu vocabulário, ouvir com atenção as histórias que ela gosta de contar e brincar com os sons das palavras são alguns exemplos de como os pais podem ajudar no desenvolvimento de seus filhos.
Mas sem pressão, por favor! As crianças agradecem.
ROSELY SAYÃO é psicóloga e autora de "Como Educar Meu Filho?" (Publifolha) 
Reprodução site:http://www.folha.uol.com.br/


quarta-feira, 20 de julho de 2011

FGEI REUNE MAIS DE 70 MUNICIPIOS EM SUA PLENÁRIA MENSAL

Na última segunda-feira, dia 18/07/11, o FGEI realizou sua Plenária mensal, incluindo no turno da tarde uma mesa específica para discussão do PROINFÂNCIA. Para esta mesa de debate, contamos com a presença do MEC/COEDI e FNDE, além de representantes de entidades gaúchas ligadas à causa do direito das crianças à Educação Infantil.
O objetivo principal do encontro foi discutir no âmbito estadual o controle social sobre esta política federal voltada à ampliação do atendimento às crianças de 0 a 6 anos, envolvendo atores como os movimentos sociais, a UNDIME, a UNCME, O TCE/RS, o MPE, o CEDICA, a SEDUC, o CEED e a Comissão de Educação da AL/RS.
Os presentes destacaram  a importância da iniciativa do FGEI e avaliaram ser este um primeiro passo para um diálogo intersetorial que venha fortalecer essa política de expansão da oferta de EI, dentro das condições de qualidade referenciadas pela Res. 05/09 do CNE - DCNs para a Educação Infantil.
Do debate, destacaram-se as seguintes colocações: estas novas unidades, construídas com verbas públicas destinadas ao PROINFÂNCIA, devem manter-se públicas e gratuitas, garantindo a oferta de atendimento em tempo integral para toda a faixa etária, considerada a demanda social das famílias. E também foi reforçado, que mesmo que a Educação Infantil seja de responsabilidade prioritária dos municípios, o governo estadual precisa assumir sua parcela de responsabilidade apontada constitucionalmente com a colaboração técnica e financeira aos municípios, conforme cada realidade. 



domingo, 10 de julho de 2011

IX SEMINÁRIO EDUCAÇÃO INFANTIL EM DEBATE: CURRÍCULO, LINGUAGENS E INFÂNCIAS

Estão abertas as incriçoes para trabalhos no IX Seminário Educação Infantil em Debate: Currículo, Linguagens e Infâncias. O evento está sendo promovido pelo NEPE - Núcleo de Estudo e Pesquisa em Educação da Infância do Instituto de Educação.  Este ano o evento sediará o VII Encontro Estadual do Fórum Gaúcho de Educação Infantil, além de trazerem sua programação conferências, palestras, minicursos, apresentações de trabalho, exposições e seção de cinema. O período para inscrições de trabalhos irá até o dia 15 de julho de 2011. Mais informações, como eixos temáticos para as apresentações e valores das inscrições, podem ser encontradas pelo site do evento: http://www.educacaoinfantilemdebate.furg.br/



CONSELHO AUTORIZA CRECHE A FECHAR NAS FÉRIAS


O CNE (Conselho Nacional de Educação) aprovou ontem, por unanimidade, um parecer considerando que creches e pré-escolas não devem funcionar no período de recesso ou de férias. A consulta foi feita pela Secretaria Municipal de Educação de São Paulo.

O parecer do CNE deverá ser homologado em breve pelo Ministério da Educação e, depois, publicado no “Diário Oficial da União”, servindo de norma para todo o país.

No ano passado, as defensorias públicas em São Paulo e Jundiaí (58 km da capital) conseguiram na Justiça uma decisão proibindo o fechamento de berçários, creches e pré-escolas nas férias.
A ação foi protocolada após pais de crianças alegarem que, durante o recesso, não tinham onde deixar os filhos pequenos para ir ao trabalho. Há dois meses, a defensoria de Santos (litoral de São Paulo) conseguiu o mesmo benefício.

Para tomar a decisão, o CNE alegou que creches e pré-escolas precisam de recesso para organizar currículos e planejar as atividades educacionais das crianças.


As escolas não podem levar todo o peso do mundo. Creches e pré-escolas são instituições educacionais, e não de assistência social”, disse o conselheiro Cesar Callegari, que foi relator do processo.

Para ele, o período de férias escolares também é fundamental para estimular a convivência familiar da criança. “Nem todas as necessidades das crianças podem e devem ser atendidas pelas instituições educacionais. Não convém sobrecarregá-las”, afirmou.

Segundo a Undime (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação), se as creches funcionassem durante todo o ano, sem interrupção, seria necessário mais professores e aumentar em 33% os investimentos.







COMITÊ DIRETIVO DO MIEIB PARTICIPOU DE REUNIÃO DO CNE










No dia 07 de julho, os membros do Comitê Diretivo do MIEIB participaram da reunião do CNE sobre o Parecer que trata do funcionamento de creches e pré-escolas sem interrupção, ao longo do ano.

O Conselheiro César Callegari, relator designado, sugeriu um Parecer contrário ao funcionamento ininterrupto, o qual foi ratificado por todas as organizações presentes (sindicatos, secretarias municipais e estaduais de educação, movimentos sociais, ministérios, etc.).

O MIEIB na sua intervenção fez considerações e propostas para qualificação do texto do Parecer, as quais foram acatadas e incorporadas pelo relator designado, Conselheiro César Callegari.

Em breve será divulgada a ata da reunião.

Fonte: Secretaria Executiva do MIEIB.
Foto: Conselheiro César Callegari, Luzinete (RJ), Mariete (MS), Marlene (BA), Estela Maris (MEC/COEDI), Maria Luiza (RS) e Rosilene (PA).

segunda-feira, 13 de junho de 2011

‘‘Além de expansão, PNE deveria prever qualidade’’, diz Campanha Nacional

Autor: Portal Aprendiz | Data: 10 de junho de 2011
As metas e diretrizes do novo Plano Nacional de Educação (PNE), apresentado pelo Poder Executivo em dezembro de 2010, preveem expansão do ensino, mas sem garantir qualidade. A conclusão é do coordenador-geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara. A instituição propôs 101 emendas ao texto final do PL 8035/2010.
O Plano, que tramita na Câmara dos Deputados, recebeu 2.915 sugestões de emendas da sociedade civil, até a última quarta-feira (8/6). O número representa um recorde de participação. Até então, o projeto da Constituição Federal de 1988 foi o que recebeu mais propostas, alcançando 1,5 mil.
Instituições ligadas à educação comemoraram. Com previsão de vinte metas a serem cumpridas para os próximos dez anos, o projeto do PNE foi debatido por diversas entidades, movimentos sociais e organizações.
Das emendas propostas pela Campanha Nacional, aproximadamente 20% estão relacionadas ao financiamento do ensino. “Nas propostas, trabalhamos na lógica de reorganizar o sistema de financiamento. Porque existe algo claro: se a União não melhorar os patamares de investimento e não distribuir recursos para estados menos desfavorecidos, o Brasil vai continuar reproduzindo desigualdades”, disse Cara.
O PNE prevê 7% do Produto Interno Bruto (PIB) para a educação, enquanto movimentos sociais e entidades ligadas à educação pedem 10%. Segundo estudo do professor da Universidade Federal de Goiás (UFG), Nelson Cardoso do Amaral, se os 7% forem mantidos, o Brasil só chegará ao custo anual por aluno para uma educação de qualidade em 2060. Com 10% do PIB, a meta seria atingida em 2030.
“Teremos, durante os próximos 20 anos, uma taxa de população em idade escolar alta. Isso significa que é gente pronta para trabalhar. Se não educarmos essa população com boa qualidade, o resultado vai ser desastroso”, analisa o coordenador. “No futuro, não conseguiremos pagar os sistemas previdenciários, porque o Brasil vai ser uma população que só exporta produtos agrícolas, por não ter desenvolvido sua capacidade produtiva.”
O Congresso Nacional instituiu uma Comissão Especial dedicada a analisar o Plano, em 13 de abril. Até agora, ela realizou quatro audiências públicas na Câmara. Além disso, deputados federais pretendem estabelecer parcerias com deputados estaduais e organizar audiências públicas nos estados.
O relator do Plano, deputado Angelo Vanhoni (PT/ PR), já afirmou que a primeira versão do relatório será entregue até o início de setembro. Mas com o número alto de emendas, ainda não é possível determinar quando o relatório estará pronto para ser votado.
A análise dos deputados da Comissão é terminativa. Depois de votado, nesta esfera, o texto deverá seguir diretamente para o Senado Federal.